sexta-feira, 24 de outubro de 2008
ESCUTATÓRIA (Rubens Alves)
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que 'não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma'.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: 'Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma'.
Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio (os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: 'Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado'.
Segunda: 'Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou'.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: 'Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou'. E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
STRESS E DEPRESSÃO NO TRABALHO
A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que, em 2020, a depressão alcançará o segundo lugar no ranking DALYs (Disability Adjusted Life Years), que lista as doenças que causam maior possibilidade de perda da vida. Provavelmente, porque a depressão atinge cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo causa comum dos 850 mil suicídios contabilizados anualmente.
Além disso, o problema já é o número um em outro ranking da OMS, o YLDs (Years lived with disability), ou “anos vividos diante de uma incapacidade”. O número de pessoas com depressão aumenta a cada dia e suspeita-se que um dos motivos seja a pressão cada vez maior que as pessoas suportam no trabalho.
PESQUISA
Um estudo de pesquisadores do King´s College London, no Reino Unido, revelou que o estresse no trabalho causa depressão até mesmo àqueles que não têm nenhum histórico de desordem psiquiátrica. Além disso, constatou-se que a depressão pode ocorrer independentemente da personalidade do indivíduo, ou de sua posição socioeconômica.
A pesquisa, divulgada em agosto do ano passado, foi realizada junto a mil homens e mulheres. Ela mostrou que em 45% dos novos casos de depressão e ansiedade entre os profissionais mais jovens a causa era o estresse. Os resultados revelaram ainda que 14% das mulheres e 10% dos homens registraram o primeiro episódio de depressão ou ansiedade aos 32 anos.
DEPRESSÃO: CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS
“A depressão é hoje considerada uma doença. Ela se instala de forma lenta, em gotas, de maneira que as pessoas não se dão conta do problema. Algumas já têm uma predisposição genética, isto é, se alguém da família já sofreu de depressão, existe a possibilidade de elas sofrerem também”, explica a psicoterapeuta Clarice Barbosa.
Ainda existe a depressão reativa, causada por situações difíceis que enfrentamos, como a morte de um ente querido ou o fim de um relacionamento, por exemplo. Porém, é muito comum a depressão causada pelo estresse crônico, principalmente por conta do trabalho. “No trabalho, é onde mais precisamos trabalhar nossa auto-imagem”, defende a especialista.
“Engolir sapos, não reagir a eventuais abusos, não conseguir impor seu ponto de vista, não estabelecer limites (enquanto a chefia aumenta demais a carga de trabalho), não falar o que sente, alta expectativa que nunca é atendida, falta de reconhecimento, frustrações constantes. São situações insuportáveis que agravam, aos poucos, o mundo emocional da pessoa.
O excesso de trabalho, por exemplo, causa sensação de fracasso. Contornar a depressão irá depender de como a pessoa identifica o problema e busca uma solução”, alerta.
A questão principal que devemos relatar aqui é que o depressivo não enxerga soluções no dia-a-dia, mesmo as mais simples, o que ocasiona a queda na produtividade e da criatividade. Para piorar, muitas vezes, ele não percebe, ou não admite, que está sofrendo da doença. “Aparentemente, a pessoa está bem, feliz. Nunca imaginamos que aquele profissional tão bem-sucedido sofre de depressão, pois ele não conta seus problemas a ninguém. Parece vergonhoso sofrer de depressão”, relata Clarice.
VOCÊ TEM TENDÊNCIA A TER DEPRESSÃO?
A psicoterapeuta explica que é possível nos prevenir, prestando atenção ao nosso mundo emocional. As pessoas com tendência à depressão apresentam as seguintes características:
- Imagem negativa de si mesma; ·
- Atitude derrotista. “A pessoa pensa que com ela nada dá certo”, conta Clarice;
- Perspectiva negativa quanto ao futuro;
- Padrão de pensamento negativo, pessimismo.
Podemos ainda citar outros sintomas da depressão, como falta ou excesso de apetite (comer muito doce é um sinal de alerta), irritabilidade e excesso de sono. “Alguém que dorme demais nos finais de semana, no lugar de passear e ficar com a família, pode estar fugindo da realidade”.
SOLUÇÃO
O mais indicado, em um processo depressivo, é reconhecer o problema e procurar ajuda médica. É provável que seja necessário tomar remédio e tirar algumas semanas de licença do trabalho. “Sozinhas, as pessoas com depressão têm dificuldade de lidar com seus conflitos internos, pois já perderam o referencial”. Como a depressão muitas vezes tem raiz no trabalho, analise melhor suas expectativas com relação ao emprego, sendo realista. “É importante saber o que a empresa espera de você, bem como aonde você pode chegar. Ter um grau de expectativa muito alto pode ser perigoso. Ficar esperando uma promoção, batalhando, desta maneira, muito por ela, pode ocasionar uma frustração”. O conselho é claro: não exagere na dose na dedicação ao trabalho. Não viva apenas esse “mundinho”. Outra dica de Clarice é se conhecer, identificando suas expectativas, e ter metas e sonhos. “Busque alternativas para viver um vida mais leve e não ficar focado no trabalho”, finaliza.
O professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Hélio Deliberador completa: "A depressão é um quadro no qual há uma perda da vitalidade para a vida. A pessoa tem dificuldade de se dirigir para a frente: encarar um novo dia, sair da cama e motivar-se para as atividades cotidianas, desde as relacionadas à higiene até as laborais."
O PAPEL DA EMPRESA
Lidar com um colaborador com depressão é uma tarefa que exige atenção e cuidado por parte dos colegas e do departamento de Recursos Humanos, principalmente.
Maria Raymunda explica que é justamente nas empresas que acontecem alguns dos eventos que podem dar origem aos episódios depressivos, por isso as organizações começam dar atenção especial ao assunto. A profissional ainda lista alguns dos fatores de risco relacionados à vida profissional:
§ Decepções sucessivas em situações de trabalho (frustrações); § Exigências excessivas de qualificação/desempenho; § Postura de defesa permanente do espaço conquistado dentro da organização; § Perda efetiva do lugar que ocupa, do posto de trabalho no caso de demissão ou mesmo mudança de setor de forma a rebaixá-lo; § Assédio moral, violência moral ou tortura psicologia.
As pessoas mais próximas no local de trabalho devem ser as primeiras a reconhecer os sinais de alerta ou as variações de humor e produtividade decorrentes do transtorno. "Quanto ao departamento de Recursos Humanos, este deve estar atento ao funcionário, para que o encaminhe a um especialista para um possível tratamento, mostrando - acima de qualquer coisa - compreensão e proporcionando segurança ao profissional", conclui Maria Fernanda.
Rita finaliza: "Devemos identificar e minimizar os múltiplos fatores associados à depressão o quanto antes, para reduzir seu impacto econômico e social".
Fonte: site Rumo on line
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO
Em suas Memórias, Jung fala que foram as suas próprias experiências internas que o levaram à descoberta do processo de individuação. A sua grande busca consistia em conhecer a si mesmo e o significado da vida. Jung introduziu o termo individuação “para designar um processo através do qual um ser torna-se um ‘individuum’ psicológico, isto é, uma unidade autônoma e indivisível, uma totalidade”. Isto quer dizer que a psique tem como objetivo o encontro com seu próprio centro, a unicidade, que é o retorno do ego às suas origens.
Segundo Jung todo indivíduo possui uma tendência para a individuação ou autodesenvolvimento. Esta luta pela auto-regulação é arquetípica, isto é, inata. Ninguém consegue escapar à poderosa influência do arquétipo de unidade, embora varie de pessoa para pessoa o curso que tal expressão pode adotar e o êxito obtido na realização de uma personalidade plenamente diferenciada, equilibrada e unificado. Para Jung “a individuação é, portanto, um processo de diferenciação cujo objetivo é o desenvolvimento da personalidade individual”. Ele descreveu as principais etapas do processo de individuação.
O primeiro passo no processo de individuação é o desenvolvimento da persona. Ora a persona é a forma pela qual nos apresentamos ao mundo e embora esta tenha funções protetoras importantes, ela é também uma máscara que esconde o Self e o inconsciente. Quanto mais a persona aderir a pele do “ator”, tanto mais dolorosa será a operação psicológica para despi-la.
Quando é retirada a máscara que o ator usa nas suas relações com o mundo, aparece uma fase desconhecida. Esse é o próximo passo no processo de individuação que é o confronto com a sombra.
A sombra é o núcleo do material que foi reprimido da consciência. Ela expressa tendências e impulsos que podem ser positivos ou negativos e que negamos em nós mesmos. Geralmente são defeitos e impulsos que não aceitamos como sendo nossos e, portanto, projetamos em outras pessoas. Aceitar a sombra é aceitar a incerteza, aceitar que falhamos, que muitas vezes não conseguimos, não nos realizamos, nos frustramos, temos defeitos, não ajudamos ou compreendemos os outros, somos maus. Ou seja, na medida em que nós aceitamos a realidade da sombra e dela nos distinguirmos podemos ficar livres de sua influência.
O terceiro passo é o confronto com a anima ou animus. A anima expressa as tendências psicológicas femininas na psique masculina. É a imago materna, já que a primeira projeção da anima do filho é em sua mãe. Segundo M.L. Von Franz são características da anima, os “humores e sentimentos instáveis, as intuições proféticas, a receptividade ao irracional, a capacidade de amar, a sensibilidade à natureza e, por fim, mas nem por isso menos importante, o relacionamento com o inconsciente”. Algumas funções da anima seriam: a escolha da esposa, sensibilização da mente masculina aos seus valores internos, auxiliar no discernimento interno e mediar o contato do ego com o Self.
Já o animus são os aspectos masculinos na psique feminina, correspondendo ao Logos paterno. Suas características são: as convicções, opiniões, argumentos, etc. Atender ao seu animus auxilia a mulher a ter mais iniciativa, coragem e objetividade em suas decisões, características essenciais do Logos.
Esses dois arquétipos mediam nossas relações com o outro, a alteridade, a diferença, a realização da polaridade (feminino e masculino). Eles geralmente são projetados para os indivíduos do sexo oposto. Por esse motivo, a forma como lidamos com o sexo oposto nos fornece indícios sobre como lidamos com as nossas características femininas e masculinas.
O estágio final no processo de individuação é o desenvolvimento do Self. É o arquétipo central e regulador do psiquismo. É a totalidade psíquica, integrando todos os arquétipos e característica ao seu redor. Traz unidade à psique e integra o material consciente e o inconsciente. O ego é ainda o centro da consciência mas não é mais visto como o núcleo de toda a personalidade, e sim como uma das inúmeras estruturas dentro da psique.
O conceito do arquétipo do Self figurou ser o resultado mais importante das investigações Jungianas sobre o inconsciente coletivo. Ele descobriu este arquétipo depois de haver completado os intensos estudos sobre os outros arquétipos. Chegou à conclusão que “... o Self é a meta de nossa existência, por ser ele a mais completa expressão da combinação a que estamos fadados e que denominamos individualização...”
A psicoterapia é antes de tudo um processo de individuação e este processo é bem mais complexo do que a simples progressão dessas etapas vistas em cima. Todos os passos mencionados sobrepõem-se, e as pessoas voltam continuamente a problemas e temas antigos. Segundo Fadiman e Frager, “a individuação poderia ser apresentada como uma espiral no qual os indivíduos permanecem se confrontando com as mesmas questões básicas, de forma cada vez mais refinadas”.
(Paulo Lopes - Psicólogo Clínico, com especialização em Ciências das Religiões )
O Conhecimento não é Sabedoria
(Krishnamurti - The Book of Life - September 17)
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A FELICIDADE NÃO É UMA META
Não espere nenhuma conquista para ser feliz, o dia é hoje, a hora é agora, o momento certo é esse instante mágico que Deus concedeu para que você descubra o poder que o amor tem para transformar momentos, pessoas e situações em eternas recordações.
É nesse instante que o seu sorriso se abre para o mundo, seja por uma conquista, por uma promoção, um elogio, um beijo roubado, um olhar que ficou no ar cheio de 'boas intenções', um filho que te abraçou e com um beijo molhado declarou o seu amor, no seu animal de estimação que se aconchegou nas suas pernas, na comida gostosa da mãe, no cheirinho de limpeza da sua casa, no perfume inconfundível da sua pele, no sol que insiste em aparecer todos os dias, na lua que encanta e faz sonhar, na certeza de que você é uma pessoa maravilhosa e única, está a descoberta da tal FELICIDADE.
O resto é sonho, meta ou qualquer coisa que virá se você for feliz agora, se você se comprometer em viver cada dia como se fosse único, respeitando os seus limites, não se comparando com ninguém, fazendo sempre o seu melhor, desejando para o próximo aquilo que você gostaria de receber, vendo em cada pessoa, por mais difícil que seja, um espelho, onde o reflexo é a sua própria imagem, pois mesmo sendo tão diferentes, somos todos iguais.Seja feliz agora!
Paulo Roberto Gaefke
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
ARTUR DA TÁVOLA
Quando nós chegarmos aos 40, nós todos saberemos que:Amor não se implora, não se pede, não se espera.
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil.
Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz,
não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você,
vão falar de você para os outros.Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra
que depende do bom senso.
Não existe comida ruim,
existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo.
Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças acerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor.
O amor...
Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças.
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente.
domingo, 3 de agosto de 2008
Começando com a oração da Gestalt....
"Eu faço minhas coisas, você faz as suas
Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas
E você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas
Você é você, e eu sou eu
E se por acaso nos encontramos, é lindo
Se não, nada há a fazer."
(Frederick S. Perls)