domingo, 19 de dezembro de 2010

Então, é sempre Natal!
por Oliveira Fidelis Filho - fidelisf@hotmail.com


"Então, é Natal e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez. Então, é Natal a festa cristã do velho e do novo, do amor como um todo. Então, bom Natal pro branco e pro negro, amarelo e vermelho pra paz, afinal..." John Lennon e Yoko Ono.

Não é fácil escrever sobre o Natal sem se deixar enredar em obviedades, em frases feitas para nos manter prisioneiros da superficialidade. Natal é festa cristã redunda John Lennon, entretanto, em meio ao brilho das inúmeras e diferentes comemorações, quanto da dimensão Crística pode ser garimpado? Ainda que o verdadeiro ouro continue a reluzir, muito pouco do que brilha é verdadeiramente Natal. Até porque à medida que somos anestesiados pelo "espírito natalino" tornamo-nos também presas fáceis e úteis do "espírito consumista".

Para milhões que se alimentam do "clima de natal", as emoções, sentimentos, pensamentos e atos dos quais se abastecem tem pouca duração; geralmente, tal energia natalina já se mostra esvaziada no dia seguinte. O que geralmente permanece é a ressaca, a sonolência, o sentimento de vazio, de incompletude.

O Natal nos remete ao nascimento de uma criança; uma em especial, aquela na qual o Logos Eterno se encarnou e onde à Essência Divina foi facultada plena expansão e expressão. Em cuja existência a humanidade pode perceber sua razão de ser, seu ideal, seu propósito, seu Caminho, sua Verdade, sua Vida.
Ao atentar para as comemorações alusivas ao natal percebo a expectativa, a euforia, as incontáveis felicitações; entretanto, o que geralmente permanece é Natal sem nascimento, casa e quarto enfeitado mas com o berço vazio, festa de aniversário onde o aniversariante é ignorado.

É possível comparar o frenesi natalino a uma falsa gravidez, gestação imaginária sem concepção de fato. Vale lembrar que os sintomas de uma gravidez psicológica são similares aos de uma gravidez verdadeira; a diferença básica é que a verdadeira tem conteúdo.

Permito-me tal analogia por saber que para muitos o natal é como um nascimento que não vinga, uma semente que não germina, um botão que não se abre, uma esperança que não se realiza. Verdadeiramente, em incontáveis lares a "criança divina" não nasce. No berço dos corações ela, em sua divina expressão, não se encontra. Há arranjos, luzes, presentes, euforia, mas falta a Vida. O Natal torna-se assim um elaborado faz de conta, um tempo e um espaço onde a Verdade continua com a sua hospedaria ocupada pelo vazio.

Um dos efeitos colaterais deste vazio, de não atentarmos para a necessidade da expansão espiritual, de não reconduzirmos o aniversariante ao seu devido lugar, é que a mesa da ceia de Natal mantém-se repleta de corações destituídos da Vida. A existência esvaziada da presença Crística deixa-nos indefesos diante dos ataques, por vezes letais, que o "espírito de solidão" deflagra e que acentuadamente é percebido no tempo do Natal. Por mais que alegria, felicidade e paz sejam palavras de ordem, a solidão, não raras vezes, insiste em permanecer e ampliar seu sufocante domínio. Em tais circunstâncias, a angústia pode ser também entendida como saudade que a alma sente de Deus.

Outra conseqüência do Natal estruturado "no espírito consumista" que tem na figura do Papai Noel seu "garoto propaganda", "padroeiro de honra" do comércio, é que acaba por transformar as comemorações alusivas ao nascimento de Jesus em instrumento de ganância, injustiça e, conseqüentemente, de tristeza e de revolta. Geralmente, neste período o abismo sócio-econômico se escancara ferindo profundamente a alma e a dignidade dos nossos irmãos que vivem à margem do universo consumista. Sobretudo, as crianças inocentes e carentes que, sem entenderem o que acontece, só lhes resta ilusoriamente esperar que da mesa dos "ricos" caiam algumas "migalhas" capazes de mitigar sua desesperada fome de amor, de verdade e de justiça.

Por que é, na experiência de muitos, assim? Por que tanto cuidado com a aparência e descuido com a essência? Por que a menção do sagrado não raras vezes desagrada, constrange e parece não combinar com o ambiente? Por que precisamos comer e beber de forma geralmente desregrada? Por que tantas árvores e luzes artificiais?

Em primeiro lugar, porque quando falta essência, forçoso se faz investir na aparência. O Natal que se propõe ser congruente tem a ver com os valores do Reino espiritual, como nos ensina São Paulo: "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo". Portanto, comemora-se verdadeiramente o Natal vivendo guiados pela Luz do Amor de Cristo. Tal iluminação precisa manter constantemente aceso no coração, sem piscar, o amor, a justiça, a paz e a alegria.

Em segundo lugar, a ausência de Cristo, em muitas comemorações natalinas, deve-se ao fato da religião ter transformado o Jesus acolhedor, acessível, que se movia por compaixão e misericórdia, e para o qual concorriam as multidões, em um instrumento gerador de culpa e julgamento. O Jesus religioso não mais vive entre as pessoas, não partilha com elas seus acertos e desencantos, tornou-se prisioneiro dos templos, serviçal de líderes religiosos e instrumento de ameaça e opressão. Ele não come e bebe mais com pecadores e publicanos; passou a ter a sua liberdade definida pela fé institucionalizada. Tornou-se propriedade de enfermos que se declaram sãos, de cegos que acreditam enxergar. Criou-se assim uma estranha e instransponível muralha entre o sagrado e o profano; como em sua época histórica, é o "sagrado" quem mais O profana.

Em terceiro lugar, cede-se aos incoerentes excessos no natal, geralmente por não se satisfazer a fome e a sede de individuação, de congruência, de Deus. Tal vazio existencial, no entanto, não se preenche com ceia opulenta, luzes artificiais ou barulhos excessivos; faz-se necessário esvaziamento e silêncio, meditação e oração para que a presença Crística sacie toda fome e dessedente toda sede, alimentando assim com a Vida todas as dimensões da vida. Afinal, lembrando o Mestre, "nem só de pão vive o homem".

Se o Natal desejado é o do advento de Jesus, necessário se faz o apagar das luzes dos artifícios humanos e o esvaziar das crenças e valores religiosos e materialistas. É preciso silenciar as vozes que entorpecem o espírito; em humilde quietude, deixar que o coração providencie amplo espaço para a alma. Permitir, assim, que Cristo venha cear com a gente, mesmo que no dia de natal estejamos ou nos sintamos humanamente sozinhos ou optemos pelo jejum.

Natal é humanidade possuída e grávida de divindade, é o Céu morando na Terra, é Deus se expressando plenamente no homem. Mais do que um acontecimento, ou uma data é uma dimensão, um estado de ser, um existir sob os flocos da Paz, um caminhar na claridade da Luz Crística, é ser comandado pelo Amor, é sentir na alma o estouro da alegria que nasce na solidariedade, é caminhar movido por bondade e misericórdia, é ouvir na alma o coro dos anjos.
Então, é sempre Natal!

Oliveira Fidelis Filho - fidelisf@hotmail.com
Teólogo Espiritualista, Psicanalista Integrativo, Administrador,Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.

domingo, 8 de agosto de 2010

2010 ou 2012? Será o fim do mundo?

Encontrei esse texto da Graziella no site "Somos todos Um" e o achei muito interessante.


"Vou comentar novamente neste artigo o fator '2012' porque continuam chegando até mim inúmeros e-mails de pessoas apavoradas com o 'fim do mundo'! Não acreditem em tudo o que circula pela Internet! No final de semana passado, aconteceu em São Paulo um simpósio organizado pela Escola de Astrologia Gaia, do qual participei como palestrante com o tema "Astromedicina". Ao longo dos dois dias de palestras, vários colegas comentaram o alinhamento astrológico que está presente no céu e que tanto apavora as pessoas. No meu artigo recém publicado no STUM e intitulado "Ainda há Tempo!", eu já havia comentado as configurações astrológicas que estão indicando as grandes perturbações que acontecem em nosso planeta. A 'cruz astrológica' que está em andamento há alguns meses nada mais é que uma indicação simbólica! Certamente o céu indica que estamos chegando num momento crucial da humanidade de onde não haverá mais recuo. As 'grandes conjunções', como são chamados em astrologia mundial os ciclos formados pelo alinhamento dos planetas lentos de nosso sistema solar (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão), podem ser analisados separadamente: dois planetas -ou em conjunto seis planetas- como deve ser feito agora. De fato, vários planetas estão envolvidos ao mesmo tempo na configuração do 'grande T' (ou da grande cruz) e eles simbolizam um verdadeiro enfrentamento de 'Titãs'.

Na mitologia Grega, os Titãs formavam uma raça de deuses poderosos, gerados por Urano e Geia e que regeram o planeta na legendária Idade do Ouro. A primeira geração de Titãs continha machos como Oceano, Hyperion, Céus, Cronos, Crius e Iapetus, e as fêmeas, Mnemosine, Tetis, Téia, Febe, Réa e Témis. Da segunda geração, (filhos de Hyperion) nasceram Eos, Hélios e Selene. Posteriormente, doze deuses poderosos se juntaram e derrubaram os deuses da primeira geração, se instalaram no Monte Olimpo, dando início a uma nova era. Entre eles havia Zeus, Hera, Poseidon, Athena, Ares, Demeter, Apollo, Artemis, Efestus, Afrodite, Hermes e Dionísio. Hades não era geralmente incluído neste panteão porque passava a maior parte do tempo no submundo, no reino dos mortos. Os nomes romanos deste panteão são usados para representar os planetas de nosso sistema solar, Apollo (Sol), Selene (a Lua) Mercúrio (Hermes) Vênus (Afrodite), Marte (Ares) Júpiter (Zeus), Urano, Netuno (Poseidon) e mais Plutão (Hades) que, no entanto, não ficava no Olimpo, já que vivia nas profundezas do interior da Terra. Do mesmo modo, Netuno vivia no fundo dos oceanos. Os outros deuses como Minerva, Ceres, Diana, Vulcano e Baccus, por exemplo, ainda não possuem representação planetária confirmada, apesar de certos astrólogos já considerarem Ceres como o regente de Virgem.

Estes 'deuses' nada mais são do que a representação de uma manifestação energética e arquetípica e é deste modo que a astrologia os analisa. Em minha opinião, tudo provém de um UNO primordial, e suas manifestações em vários aspectos fazem, portanto, parte do UNO, que podemos chamar de Deus, já que trazemos uma tradição judaico-cristã (leiam também as Leis Herméticas em meu site). Vamos, então, considerar o que esses Deuses representam? Astrologicamente, a representação arquetípica de Júpiter lembra a personalidade deste Deus que reinou num período de prosperidade da humanidade: seus atributos principais são expansão, otimismo, generosidade, leis espirituais e sociais. Atualmente, Júpiter está alinhado com Urano, cujos atributos arquetípicos são: imprevistos, reviravoltas, rebeldia e independência, mas também desenvolvimento da Consciência Cósmica. No alinhamento de oposição, encontram-se atualmente Saturno, Marte e mais recentemente Vênus. Sabemos que Saturno representa a restrição e a responsabilidade, Marte o princípio da ação e da energia e Vênus a sociabilidade e o relacionamento com os outros.

Uma das considerações que podem ser feitas sobre esse aspecto astrológico é que nunca como agora temos testemunhado tantos atos de violência e assassinatos brutais, especialmente, contra mulheres e crianças. Na realidade, os macabros descobrimentos recentes de bebês mortos e enterrados pela mãe na França, ou os recentes escândalos envolvendo incesto de pais e filhas (na Áustria e no Brasil), também fazem parte dessa configuração. Especialmente a 'descoberta' e punição, ou seja, o fato dos acontecimentos terem vindo à tona atualmente -fruto da conjunção Júpiter (justiça) e Urano (descoberta), ambos em Áries- e serem punidos (Saturno). A meu ver isso não é nada mal, não acham? Afinal, esses delitos (sexuais ou não) já vêm acontecendo há muito tempo, mas andavam escondidos, por conivência ou omissão.

O planeta que tem atribuição na Casa VIII do zodíaco e se relaciona com sexo, poder e morte é o Senhor das Trevas: Plutão. Esse planeta se encontra em quadratura (ou seja, em aspecto tenso) com os outros planetas citados, como se estivesse conectado com eles de ambos os lados. Vocês repararam que somente agora a BP conseguiu parar o vazamento de petróleo no golfo do México? Este vazamento que aconteceu no final de abril e se agravou após o eclipse solar de 11 de julho, está chegando ao fim. Plutão, em astrologia, rege o submundo, ou seja, aquilo que está por debaixo da terra, conseqüentemente o petróleo! Em abril, Júpiter e Urano se encontravam ambos no final do signo de Peixes, reino de Netuno, o Deus do mar! Coincidência? Não, sincronicidade! Já aconteceram inundações, tsunamis, aviões que desapareceram no mar... etc..

Concluo que esse é sim, um momento crucial, um momento de grandes transformações para a humanidade, mas não será o fim do mundo. Os ciclos astrológicos sempre aconteceram e continuarão acontecendo e o mundo sempre terá guerras, violência e catástrofes! É assim que a astrologia precisa ser interpretada. Existe uma sincronicidade entre os movimentos dos planetas e os acontecimentos na Terra. Mas não se trata de uma influência direta, como se fosse uma espécie de 'força gravitacional' capaz de modificar diretamente nosso planeta e seus habitantes. Por essa razão, não devemos nos alarmar com essas configurações como se fossem somente anunciadoras de catástrofes e destruições totais e definitivas, mas, principalmente, como sendo indícios de grandes mudanças e transformações.

Caros leitores, essas mudanças já estão em curso há alguns anos e nós somos testemunhas! Basta observar a violência em aumento, a perda de valores sociais, as transformações familiares, ou ainda as catástrofes e cataclismos que nos assustam. Então, nós, pobres mortais, o que devemos fazer? Manter a fé sempre acesa porque somente com fé seguiremos o caminho da evolução sem sucumbir.

Antes de mais nada, caros leitores, devemos aproveitar o momento para analisar a área de nossa vida que está sendo focalizada e fazer as necessárias transformações e modificações. A Casa Astrológica onde estão estes planetas irá requerer uma atenção especial nos próximos meses e também nos próximos anos. Afastando os medos e temores inúteis da nossa cabeça, reconhecendo nossos defeitos e os corrigindo, teremos a ocasião de mudar o rumo de nossa vida, iniciando algo novo em prol da sociedade onde nós vivemos. Mudemos os comportamentos permeando de atos de amor fraternal o nosso dia!

Observem em quais Casas Astrológicas acontece essa grande configuração que terá um momento de 'start' exatamente em 10 de agosto com a Lua Nova! Para saber o que elas representam, leiam os artigos no meu site pessoal e façam os devidos ajustes, confiando nos guias superiores que estarão certamente ajudando a humanidade nestes momentos difíceis.

Eu tenho uma enorme confiança no poder de regeneração do ser humano. Por mais podridão que o homem esconda dentro de si, ainda vemos exemplos de muitos seres humanos capazes de fazer a diferença, modificando atitudes e arrastando para um patamar superior de evolução espiritual aqueles que infelizmente ainda andam às cegas! Nós, que estamos unidos no movimento espiritual do SOMOSTODOSUM somos capazes disso!

Aguardo suas observações e se quiserem uma análise personalizada de suas previsões anuais, para compreender melhor essa configuração astrológica em seus mapas, podem fazer o pedido conforme indicado no meu site pessoal.

Desejo a todos uma semana cheia de Luz e de Harmonia!
São Paulo, 5 de agosto de 2010"

Graziella Marraccini é astróloga, taróloga, cabalista e estudiosa de ciências ocultas e dirige a Sirius Astrology.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Encontrei este texto no Blog Via Dupla, achei bem interessante e estou compartilhando com vocês.

"A pureza do pensamento infantil...

O autor e conferencista Leo Buscaglia certa ocasião falou de um concurso em que tinha sido convidado como jurado. O objetivo era escolher a criança mais cuidadosa.

Eis alguns dos vencedores:

1. Um garoto de 4 anos tinha um vizinho idoso, cuja esposa havia falecido recentemente.
Ao vê-lo chorar, o menino foi para o quintal dele, e simplesmente sentou-se em seu colo.
Quando a mãe perguntou a ele o que havia dito ao velhinho, ele respondeu:
- Nada. Só o ajudei a chorar.

2. Os alunos da professora de primeira série
Debbie Moon estavam examinando uma foto de família.
Uma das crianças da foto tinha os cabelos de cor bem diferente dos demais. Alguém logo sugeriu que essa criança tivesse sido adotada.
Logo, uma menina falou:
- Sei tudo sobre adoção, porque eu fui adotada.
Outro aluno perguntou-lhe:
- O que significa "ser adotada"?
- Significa - disse a menina - que você cresceu no coração de sua mãe, e não na barriga!

3. Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida e no mundo, eu paro e penso no pequeno Jamie Scott.
Jamie estava disputando um papel na peça da escola. Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas ela temia que ele não fosse escolhido.
No dia em que os papéis foram escolhidos, eu fui com ela para buscá-lo na escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção:
- Adivinha o que, mãe!
E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria!

4. Conta uma testemunha ocular de Nova York:
Num frio dia de Dezembro, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a vitrine e tremendo de frio. Uma senhora se aproximou do rapaz e disse:
- Você está com pensamento tão profundo, olhando essa vitrine!
- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto...

A senhora tomou-o pela mão, entrou na loja e pediu ao atendente para dar meia duzia de pares de meias para o menino. Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. O balconista rapidamente atendeu-a e ela levou o garoto para a parte detrás da loja e, tirando as luvas, se ajoelhou e lavou seus pés pequenos e secou-os com a toalha. Nesse meio tempo, o empregado havia trazido as meias. Calçando-as nos pés do garoto, ela também comprou-lhe um par de sapatos. Ela amarrou os outros pares de meias e entregou-lhe. Deu um tapinha carinhoso em sua cabeça e disse:
- Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.
Como ela logo se virou para ir, o garoto segurou-lhe a mão, olhou seu rosto diretamente, com lágrimas nos olhos e perguntou:
- Você é a mulher de Deus?"

terça-feira, 6 de julho de 2010

Bullying: marcas de violência na escola

A escola pode ser um lugar muito hostil para crianças e adolescentes, não somente pelas notas vermelhas, mas pelas relações interpessoais negativas (intimidação, assédio, humilhação) que ocorrem com colegas e até com professores e funcionários. Essas relações nocivas dentro da escola são atualmente estudadas pela Psicologia e conhecidas pelo termo inglês bullying: quando alguém faz ou diz algo negativo de forma sistemática para ter poder sobre outra pessoa. Esse tipo de provocação pode ser físico (bater, puxar, beliscar, assediar sexualmente etc.) ou relacional (fofocar, excluir alguém do grupo, humilhar, provocar etc.; pode ocorrer em confronto direto ou por meio eletrônico (cyber bullying), tais como, ofensas postadas em sites de relacionamento, mensagens agressivas no celular, montagem de fotos e vídeos e mentiras espalhadas por correio eletrônico.

O bullying é um fenômeno completo e envolve três grupos de estudantes: agressores, vítimas e espectadores. Apesar de existirem similaridades entre os membros de cada grupo, existem ainda muitos subgrupos diferentes. Por exemplo, existem os agressores ativos e os passivos. Os ativos fazem parte do tipo mais comum e geralmente são fortes, hostis, impulsivos, coercitivos, confiantes e demonstram total falta de empatia com suas vítimas. Esses estudantes tendem a ser populares nos anos escolares iniciais e, por serem admirados, tem uma boa autoestima. Esse comportamento agressivo pode perdurar ao longo da vida. Os agressores passivos não tem tanta confiança, são inseguros, menos populares, tem baixa autoestima e poucas qualidades desejáveis. Geralmente tem dificuldades na escola e comportamento destemperado o que leva a problemas com seus colegas. Esse tipo não inicia o comportamento agressivo, mas apóia com entusiasmo quando ele ocorre e mostra total lealdade aos agressores. Existem ainda as vítimas-agressivas, são estudantes que sofreram provocações sérias e passam a agredir aqueles que são física ou psicologicamente mais fracos; geralmente são impopulares e tem maior chance de apresentarem ansiedade e depressão.

Os provocadores não atacam seus colegas de modo aleatório, ao contrário, tendem a perseguir alguns de maneira sistemática. As pesquisas descrevem diferentes tipos de vítimas: vítima-passiva, vítima-provocativa e a vítima-agressiva, já descrita acima. A vítima-passiva não provoca diretamente e faz parte do maior grupo de crianças intimidadas; geralmente são crianças tímidas, ansiosas, medrosas, com autoconceito pobre e com poucos amigos, sendo alvos fáceis para os agressores ativos que detectam facilmente a vulnerabilidade. A vítima-provocativa é aquele estudante que se comporta de maneira a desorganizar a classe: não para quieto, tem comportamento irritadiço, hostil, dominante e agressivo, baixa tolerância à frustração e sente-se rejeitado por outros, com baixa autoestima.

Em pesquisas realizadas pelo Núcleo de Análise do Comportamento do Departamento de Psicologia e pelo programa de Pós-graduação em Educação (UFPR), os dados revelam que os meninos apresentam maior freqüência de agressões e de vitimização. Alunos de escolas particulares relatam maior frequência de agressão direta enquanto os alunos das escolas públicas apresentaram maior média na agressão relacional. É preciso levar em conta não apenas a distinção entre escola pública e particular, mas o quanto cada escola está empenhada em combater e prevenir este comportamento. Muitas escolas nada fazem porque simplesmente consideram esse fenômeno como algo normal no comportamento de crianças e adolescentes.

Esse é um fenômeno que não pode ser ignorado pelas escolas nem pela família. Nossas pesquisas revelam, de maneira, inequívoca, uma relação significativa entre o “clima familiar” e agressão e vitimização sofrida na escola. De modo geral, adolescentes provenientes de famílias que apresentam clima positivo (alto envolvimento e relacionamento afetivo, regras e limites claros, comunicação positiva, clima conjugal positivo e pais que se apresentam como modelos positivos) envolvem-se menos com bullying, tanto como agressores quanto como vítimas. Por outro lado, maior frequência de agressores e de vítimas vem de lares no qual o clima familiar apresenta vários fatores de risco, tais como uso de punição corporal, conflito familiar, abuso verbal, ausência de regras e monitoria, baixo envolvimento e clima conjugal negativo.

Assim, nota-se que o bullying não é apenas um fenômeno escolar, pois existe uma forte ligação entre o que ocorre na da família e as relações de crianças e adolescentes com seus colegas. Em um contexto atual complexo, violento, egoísta e pouco empático, é preciso atenção mais específica, sistemática e preventiva para a família e a escola, pois os efeitos psicológicos do bullying, tanto para os agressores quanto vítimas, são nefastos e duradouros.

Por Lídia Weber
Publicado na Revista Digital do Meio Ambiente e Desenvolvimento - ENCOLVERDE, http://www.envolverde.com.br., em 05.07,2010


© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

C. G. Jung e o mundo espiritual

Coordenei junto à Editora Vozes a tradução da obra completa do psicanalista C.G. Jung (18 tomos), o que o tornou um dos meus principais interlocutores intelectuais. Poucos estudiosos da alma humana deram mais importância à espiritualidade do que ele. Via na espiritualidade uma exigência fundamental e arquetípica da psiqué na escalada rumo à plena individuação. A imago Dei ou o arquétipo Deus ocupa o centro do Self: aquela Energia poderosa que atrái a si todos os arquétipos e os ordena ao seu redor como o sol o faz com os planetas. Sem a integração deste arquétipo axial, o ser humano fica manco e míope e com uma incompletude abissal. Por isso escreveu:

“Entre todos os meus clientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos em última instância estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu, em todos os tempos, a seus seguidores. E nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro. Não depende absolutamente de uma adesão a um credo particular, nem de tornar-se membro de uma igreja, mas da necessidade de integrar a dimensão espiritual.”

A função principal da religião, melhor, da espiritualidade é nos religar a todas as coisas e à Fonte donde promana todo o ser, Deus. Esse é o propósito básico de seu grandioso livro Mysterium Coniunctionis (Mistério da Conjunção) que Jung considerava seu opus magnum. Pois nele se trata de realizar a coniuntio, traduzindo, a conjunção do ser humano integral com o mundus unus, o mundo unificado, o mundo do primeiro dia criação quando tudo era um e não havia ainda nenhuma divisão e diferenciação.

Era a situação plenamente urobórica do ser. Esclarecendo: uroboros era a serpente primigênia, enrolada sobre si mesma e engolindo a própria extremidade, arquétipo que representa a unidade originaria antes das diferenciações entre masculino e feminino, corpo e espírito, Deus e mundo. Essa fusão é o anseio mais secreto e radical do ser humano e o permanente chamado do Self.

Espirtualidade signfica vivenciar esta situação na medida em que é permanentemente buscada, mesmo que não se deixe apreender e se desloque sempre um passo a frente. O drama do ser humano atual é ter perdido a espiritualidade e sua capacidade de viver um sentimento de conexão. O que se opõe à religião ou à espiritualidade não é a irreligião ou o ateísmo mas a incapacidade de ligar-se e religar-se com todas as coisas. Hoje as pessoas estão desconectadas da Terra, da anima (da dimensão do sentimento profundo) e por isso sem espiritualidade.

Para C. G. Jung o grande problema atual é de natureza psicológica. Não da psicologia entendida como disciplina ou apenas como uma dimensão da psiqué. Mas psicologia no sentido abrangente dado por ele como a totalidade da vida e do universo enquanto percebidos e referidos ao ser humano seja pelo consciente seja pelo inconsciente pessoal e coletivo. É neste sentido que escreveu:

“É minha convicção mais profunda de que, a partir de agora, até a um futuro indeterminado, o verdadeiro problema é de ordem psicológica. A alma é o pai e a mãe de todos as dificuldades não resolvidas que lançamos ao céu.”

A Terra está doente porque nós estamos doentes. Na medida em que nos transformamos, transformaremos também a Terra. Jung buscou esta transformação até a sua morte. Ela é um dos poucos caminhos que nos pode levar para fora da atual crise e que inaugura um novo ensaio civilizatório, assim como o imaginava Jung, mais integrado com o todo, mais individualizado e mais espiritual.

C. G.Jung se mostra um mestre e um guia que nos traça um mapa apto a nos orientar nestes momentos dramáticos em que vive a humanidade. Como acreditava profundamente no Transcendente e no mudo espiritual, será seguramente o capital espiritual, agora colocado no centro de nossas buscas, que nos permitirá viver com sentido a fase nova da Terra e da Humanidade, a fase planetária e espiritual.

Leonardo Boff (06/11/2009)
Este artigo está publicado no site do autor "http://www.leonardoboff.com.br/"
A SINDROME DE PÂNICO E O PENSAMENTO FATALISTA


A síndrome de pânico tem sido um dos temas mais estudados nos últimos anos nos mais variados setores da saúde. Sua característica de acometimento inesperado,sintomas físicos que simulam doenças cardíacas e forte comprometimento emocional,criam um cenário desesperador e incompreensível para o paciente e para quem o assiste. Como as crises no mais das vezes surgem sem um motivo aparente, elas limitam a liberdade do individuo, que vive a espreita de uma crise, construindo assim comportamentos preventivos, e no mais das vezes desmedidos para quem os acompanha. Palavras de que deveria enfrentar o problema, ou que as estatísticas provam o contrario de seus medos e crenças, povoam o universo da convivência social do paciente.
A síndrome de pânico é considerada hoje um dos distúrbios mais incidentes no mundo, não respeitando idade ou sexo, acometendo em maior proporção as faixas sociais mais favorecidas. Tudo isso faz da síndrome um monstro de mil cabeças, onde o suporte de medicação específica se impõe como uma forma de alivio imediato da crise.
Como um vulcão que explode de forma inesperada, assim é uma crise de pânico: uma porta que não abre, um elevador que pára, um cinema que apaga as luzes ou, nada. O coração dispara, as mãos tremem, e uma intensa sensação de medo se apodera, e é preciso sair de onde se está rapidamente,buscar socorro médico, pois algo de terrível pode acontecer.Eis uma crise de pânico clássica!
Assim como uma barragem pode sofrer rachaduras pela força do rio, assim é o paciente na crise de pânico ao conter a avalanche de registros inconscientes que surgem repentinamente no seu espírito.
Ao longo do meu trabalho como terapeuta, tenho percorrido ao lado de meus clientes com síndrome de pânico, as margens do rio de suas vidas. Encontro sempre a construção de um pensamento linear, que se resguarda do inesperado, através de uma conduta de vida que não incorpora o universo das possibilidades. A construção da realidade, se ancora na direção de causa e efeito, onde os fatos vividos ao longo de sua trajetória de vida confirmam o sentido da fatalidade dos acontecimentos,sendo a morte a maior certeza.
E´o reconhecimento e a consequente libertação desse pensamento fatalista dominador, que surge como uma chave valiosa para abrir espaços quânticos de consciência, no sentido de ampliar a visão do individuo quanto a sua trajetória num mundo de dualidades. A Esperança, a Confiança e a Fé, se opõe a fatalidade, assim como o movimento se opõe a rigidez.
Roger Garaudy filosofo francês do nosso século, reconhece o pensamento fatalista como atrelado ao fenômeno da industrialização, quando `a semelhança de maquinas, o homem perde a criatividade do viver,e é induzido a se preocupar apenas com o "produzir seja lá o que for e fabricar o mais possível",transformando a vida "numa experiência sem objetivo e que conduz a morte".
Portanto, o pensamento de Garaudy, confirma o que vemos na clinica, quando constatamos no cliente com pânico esta dificuldade de se mover do lugar que ocupa no mundo. As mudanças são o elemento de maior ameaça, evocam em qualquer instancia o risco da perda. Assim como uma engrenagem numa máquina, ele está preso, mas assegurado, quando não ousa realizar novos movimentos na vida . A pulsão do desejo de fazer ou ser diferente, descortina um universo de incertezas insuportável.
E´ a Fé e a Esperança, que devolvem ao homem essa mobilidade,execrando o pensamento fatalista.
Na Terapia com Essências Florais, procuramos sempre devolver ao individuo essa polaridade perdida da Fé e da Esperança, que muitas vezes ficou ocultada ou marcada por vivências do passado que fortaleceram o pensamento fatalista. Usar Essências Florais é mover o paciente de um padrão de crenças e lhe devolver a liberdade de experienciar o ato de existir sem o conceito limitador do pânico.
Essências Florais como a Sweet Chestnut do sistema Bach e Borage do sistema da California tem se mostrado como recursos para uma abordagem profunda . Além do medo e ansiedade, que podem ser trabalhados especificamente com inúmeras essências florais, a síndrome de pânico depara-se com o intenso sentido de fragilidade e impermanência do ser humano.Quando isso é descortinado diante de fatos da vida, é o maior gerador do pensamento fatalista
A semelhança das abordagens clássicas da Psiquiatria, onde a síndrome de pânico tem como seu maior aliado medicamentoso os antidepressivos, esses dois florais também são recursos importantes no tratamento das depressões. A Sweet Chestnut, como uma arvore que impressiona pela envergadura de seu tronco, tem na verdade raízes que favorecem um tombamento fácil. Tal envergadura de tronco engana quanto a uma resistência inabalável nas tempestades. Assim é o individuo acometido de pânico, que constituido fortemente sobre a certeza de seu traçado de vida, se vê sem confiança em si mesmo ao primeiro tombamento na vida.
Já a Borage, vai tratar aquela desesperança em conseguir resistir as tempestades da vida, num sentido de não ter forças para suportar as tormentas. Sua cor lilás e sua pétalas em pentagrama, evocam o fortalecimento do espírito, e o ancoramento numa certeza que vai para além do corpo físico.
A elas junte-se a essência Cayenne do sistema Californiano. A pimenta é um forte estimulante do sentido do paladar, acelerando processos metabólicos ao deixar a função digestiva mais desperta. Da mesma maneira seria a sua ação como essência Floral.
Considerada uma essência auxiliar em processos terapêuticos,é imprescindível nos quadros de pânico por ser uma essência que estimula a mobilidade,fazendo o individuo sentir-se capaz de sustentar seu desenvolvimento emocional e espiritual,se contrapondo as condutas de estagnação.
Portanto, após essa discussão sobre a abordagem terapêutica nas crises de pânico, concluímos o valor não apenas de medicamentos que tragam conforto imediato ao paciente, mas primordialmente, um trabalho terapêutico que leve o paciente a se defrontar com seus processos de estagnação na vida, reconhecendo historicamente como ele construiu e fortaleceu o seu pensamento fatalista.Um processo que o conduza ao desenvolvimento da Confiança e Fé em seu processo criativo de viver, devolvendo-lhe a individualidade, autenticidade e encantamento de um ser único na existência.
Recife,inicio de outono de 2010
Tereza Guimarães
Psiquiatra,Homeopata e Terapeuta Floral
Integrante da equipe de profissionais do Centro Logos

terça-feira, 8 de junho de 2010

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

(Fernando Pessoa)

sábado, 22 de maio de 2010

A missão das plantas - Bruno J. Gimenes

Ao entender que a maioria das doenças conhecidas da humanidade são derivadas dos pensamentos e emoções em desequilíbrio, começamos a ter uma maior noção de conjunto com relação à missão das plantas para a humanidade. Começamos, também, a ter mais claro em nossas mentes que, se aprendermos a manter a harmonia de nossa personalidade inferior, também aprendemos a nos curar, tornamo-nos responsáveis por nossa cura, assim como sempre somos responsáveis por nossa dor e doença.

Seguindo nessa linha de raciocínio, pegamos carona em uma das leis principais do universo: a Lei da Evolução Constante. Esse é um modelo mostrado pelo universo a todos nós: a vida segue seus ciclos naturais em evolução constante. Assim sendo, não podemos nos separar desse contexto, portanto, nossa missão aqui na Terra também é evoluir. Só que Deus nunca nos desampara, sempre nos oferece condições favoráveis para que suas leis se façam, enviando-nos recursos que nos ajudem a tornar essa missão mais simples.

A realidade atual é que o ser humano padece de uma miopia consciencial que não o torna apto a enxergar esses recursos e possibilidades que o universo nos envia. O curioso é que a maioria dessas opções são oferecidas abundantemente na natureza, com simplicidade, mas como não estamos conscientes, não as percebemos,
logo não as aproveitamos.

Este estilo moderno de viver dos novos tempos nos distancia demais dessa reflexão necessária e, como não refletimos que nossa missão é evoluir, também não chegamos à conclusão óbvia que evoluir significa purificar nossas inferioridades. À medida que nos limpamos de emoções e sentimentos como medo, mágoa, raiva, ódio, tristeza, depressão, pessimismo, ciúmes, arrogância, egocentrismo, insegurança, baixa estima e tantas outras, estamos evoluindo verdadeiramente.

A maneira como estamos direcionando nossas vidas está nos conduzindo para um caminho sem propósito, que ilude muito mais do que ensina e ajuda a evoluir. Nosso maior propósito é vencer esses sofrimentos advindos dessas emoções inferiores que temos tanta dificuldade em domar ou educar. E qual é a consequência? Qual é o preço que pagamos?

Ficamos doentes.

Contraímos as mais diversas chagas, da alma e do físico, que são tantas...

Muitas doenças novas surgem por ano, algumas se agravam e o homem, em sua maneira de conduzir sua vida, distanciado da Fonte, não aprende a eliminar a verdadeira causa ou origem dos males. Não compreende que, se é na alma que a doença nasce, é lá que ela deve também ser curada.

Tudo parece tão óbvio quando o analisamos assim, friamente. Então, por que é tão difícil entender?

Porque nossa cultura não ensina a tratar a causa, porque não acredita na alma, não a considera. Se o corpo físico adoece, tratamos apenas dele, sem a consciência de que a doença é a sinalização que a mente e as emoções estão em desequilíbrio. É inconcebível que neste universo, as forças vitais que dão origem ao corpo espiritual, mental e emocional não sejam levadas em conta no ambiente materialista do mundo moderno. E são esses campos de energia que alimentam a alma, que organizam as forças e o equilíbrio do corpo físico.

Emoções e pensamentos positivos plasmam o corpo emocional com estrutura equilibrada e saudável, já emoções e pensamentos negativos constituem padrões também negativos e debilitados. São essas energias geradas pelas emoções e pensamentos que nutrem nosso corpo, somos o que pensamos e sentimos, inegavelmente. É aí que está o segredo de tudo, nessa compreensão. Mas, pelo visto, não estamos chegando a essa conclusão sozinhos, precisamos ser inspirados a mudar, porque por conta própria não estamos conseguindo.

As plantas e o reino vegetal em todo seu contexto possuem grande capacidade de nos oferecer energia, um tipo de vibração que é rapidamente assimilado pela aura de todos os seres vivos. As plantas têm a capacidade de armazenar um padrão de energia sutil e superior, tornando os vegetais verdadeiros enviados de Deus, perfeitos veículos de manifestação da consciência divina.

Essa vibração que assimilamos com admirável facilidade tem a capacidade de elevar nossos padrões conscienciais a níveis superiores que podem nos levar à cura das emoções densas, nossa maior meta.
Assim sendo, as plantas têm sido amigas de jornada, oferecendo emanações de vibrações curativas, energizantes, harmonizantes e amorosas. Quando nos alinhamos ao coração do Reino Vegetal e sua missão, aproveitamos melhor essa dádiva divina e começamos a descobrir um universo inimaginável de beleza e amor.

Sim, precisamos valorizar a capacidade que as plantas têm de ornamentar, refrescar, trocar o ar e perfumar os ambientes, mas não devemos ficar limitados a esses benefícios. Definitivamente, precisamos enxergar mais e ver que, no verde de Deus, são-nos oferecidas as condições de evoluirmos de forma mais rápida e equilibrada.

Comecemos a olhar para as plantas reverenciando-as, expressando-lhes gratidão e respeitando-as mais. Afinal, são emissárias celestes com a nobre missão de curar o planeta.

Quer saber mais, então conheça o Livro Fitoenergética

Bruno J. Gimenes - sintonia@luzdaserra.com.br
Professor e palestrante, ministra cursos e palestras pelo Brasil. Sua especialidade é o desenvolvimento da consciência com bases na espiritualidade e na missão de cada um. Autor de 5 livros. Criador da Fitoenergética e co-fundador do Luz da Serra www.luzdaserra.com.br
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E-mail:sintonia@luzdaserra.com.br

sábado, 15 de maio de 2010

Primórdios do xintoísmo e do budismo

Os habitantes do Japão esposam simultaneamente duas crenças principais: o xintoísmo e o budismo, que coexistiram e se influenciaram mutuamente nos últimos 1.500 anos. O xintoísmo é nativo do Japão, ao passo que o budismo japonês é um ramo de uma religião mundial que inspira a devoção de centenas de milhões de pessoas no leste e no sudeste da Ásia e no Ocidente.

A religião nativa do Japão é chamada de "Caminho dos Deuses (ou Espíritos)", o que se expressa tanto por "Kami no Michi" quanto pelo sinônimo "shinto", uma articulação japonesa das palavras chinesas shen ("espírito") e dao ("caminho"). As duas expressões são escritas com os caracteres chineses de shen e dao. Desde o ressurgimento dessa religião, nos séculos XVIII e XIX, shinto tornou-se a designação mais comum - ironicamente, já que os promotores do renascimento tendiam a ser antichineses.

As raízes do xintoísmo estão cravadas profundamente na pré-história japonesa. Seu conceito mais antigo e fundamental, o de kami ("espírito", "ser divino" ou "deus/deusa"), ainda é fundamental para a consciência religiosa japonesa. A fonte suprema do budismo ficava longe do Japão, na Índia. Mas, como a maioria dos adornos da civilização japonesa, essa nova fé chegou por intermédio da China, a grande civilização-mãe do leste da Ásia, de onde foi levada para o Japão, passando pela Coréia, em meados do século VI. Nessa época o Japão não tinha escrita, mas o budismo levou consigo a alfabetização. Os escritos budistas eram acessíveis apenas nas traduções chinesas, e assim os aristocratas japoneses recémconvertidos o budismo levaria séculos para se espalhar por toda a população foram obrigados a aprender a ler os caracteres chineses.

O confucionismo e o taoísmo também chegaram ao Japão nesse período, e ambos tiveram um profundo impacto no xintoísmo e no desenvolvimento do budismo japonês. Entretanto, só em raras ocasiões (por exemplo, na corte de Tokugawa, c. 1700) eles atingiram o status de seitas religiosas.

Apesar do enorme impacto das crenças, da filosofia e das artes religiosas chinesas, o Japão sempre permaneceu diferente de sua vizinha do outro lado do mar. A tendência, profundamente arraigada na nação, de readaptar e transformar o que emprestava de outras culturas logo se manifestou. Com isso, as seitas budistas maaianas que se fixaram ou surgiram no Japão as "escolas de Nara",_ tendai,_ shingon,_ jodo-shu e jodo-shinshu,_ nichiren-shu e nichiren-shoshu, zen e outras logo se tornaram, e assim permaneceram, exclusivamente japonesas. Por essa razão, a linha entre budismo e xintoísmo pode às vezes ser um tanto nebulosa - como demonstra o fato de muitas divindades budistas passarem a ser cultuadas como kamis xintoístas.

Mais recentemente, o Japão assistiu à consolidação das chamadas "novas religiões" e ao ressurgimento do cristianismo, que chegou ao Japão no século XVI mas depois foi reprimido. O crescimento dessas crenças foi estimulado respectivamente pelo caos social das últimas três décadas (1837-67) do xogunato de Tokugawa e pelo rápido desenvolvimento econômico verificado depois da Segunda Guerra Mundial. Contudo, nos dois casos o resultado final foi puramente japonês, uma mistura relativamente harmoniosa de idéias, costumes, ritos e crenças estrangeiros e nativos.

O sincretismo fusão de crenças e práticas díspares num único sistema tem sido há muito tempo um traço da vida religiosa do Japão, junto com o que o Ocidente teria considerado um alto grau de "tolerância à ambigüidade". Com algumas importantes exceções, a maioria do povo japonês provavelmente se considera xintoísta e budista, e não percebe nenhuma contradição na prática de duas crenças com raízes tão radicalmente diferentes. Muitos diriam: o xintoísmo é a "religião da vida" e o budismo é a "religião da morte". Assim, por exemplo, a grande maioria dos casamentos japoneses é feita de acordo com os ritos xintoístas, ao passo que uma maioria igualmente grande dos funerais é budista e a maior parte dos cemitérios é ligada a templos budistas. De modo geral, o xintoísmo se concentra nas questões referentes a este mundo, na procriação, na promoção da fertilidade, na pureza espiritual e no bem-estar físico. O budismo, por outro lado, embora não rejeite o mundo real, sempre enfatizou mais a salvação e a possibilidade da vida após a morte. Na verdade, as seitas "terra pura" se formaram exatamente para atender a essa necessidade.

Qualquer avaliação do papel desempenhado pela religião no antigo e no moderno Japão precisa levar em conta alguns aspectos fundamentais da cultura japonesa. O mais importante é a subordinação do indivíduo ao grupo, expressa no dito japonês "o prego que se destaca será martelado". Muitos especialistas acham que esse ethos tem origem na cooperação estreita e na tomada de decisão coletiva exigida pelo cultivo do arroz em terreno alagado, até recentemente a principal fonte de sustento do Japão. A rizicultura, introduzida nesse país no fim do primeiro milênio antes de Cristo, exige mão-de-obra extremamente intensiva; antes da mecanização, cada planta de arroz tinha de ser inserida individualmente no campo molhado. Mesmo na época moderna, todos os membros de uma família subordinam suas inclinações pessoais ao trabalho coletivo pelo bem da colheita - e, por extensão, para a sobrevivência mútua. Num nível mais amplo, a atividade abrange a própria aldeia, onde um grupo de famílias se ajuda mutuamente no plantio, na retirada de ervas daninhas e na colheita.

A cooperação social e a concomitante ausência de um individualismo marcante caracterizaram desde o início tanto o xintoísmo quanto o budismo japonês. As duas religiões sempre fizeram da subordinação ao bem-estar da unidade social uma virtude primordial, quer essa unidade fosse a família, a aldeia produtora de arroz, o feudo dominado por uma elite de samurais ou o corpo de assalariados de uma moderna multinacional.

(trecho da publicação "Religiões" de autoria de Michael D. Coogan, editada pela Publifolha, que se encontra nas páginas de 238 a 241,e trata das Tradições Japonesas)

terça-feira, 11 de maio de 2010

GANHAR DISTÂNCIA PARA VER MELHOR


Ganhar distância para ver melhor

Por Leonardo Boff




Todos estamos angustiados com as crises pelas quais passa a Mãe Terra e a vida humana. E temos boas razões para tanto pois estamos nos confrontando com um futuro que pode ser de vida ou de morte. Para vermos melhor a situação, temos que ganhar um pouco de distância. Vamos comprimir os mais de 13 bilhões de anos de existência do universo num único ano cósmico. Vamos ver como ao longo dos meses foram surgindo todos os seres até os últimos segundos do último minuto do último dia do ano. Vejamos como fica o cenário que um cosmólogo amigo me ajudou a calcular.


A primeiro de janeiro ocorreu a Grande Explosão (o big bang).

A primeiro de março surgiram as grandes estrelas vermelhas que depois explodiram e de seus elementos, lançados em todas as direções, se
formou o atual universo.

A 8 de maio, surgiu a Via Láctea, uma entre cem bilhões.

A 9 setembro, nasceu o Sol, o centro de nosso sistema.

A 1 de outubro, nasceu a Terra, o terceiro planeta do Sol.

A 29 de outubro, irrompeu a vida no seio de um oceano primevo.

A 21 de dezembro, surgiram os peixes.

A 28 de dezembro às 8.00 horas, vieram os mamíferos.

A 28 de dezembro às 18,00 horas, voaram os pássaros.

A 31 de dezembro às 17.00 horas nasceram nossos antepassados pre-humanos, os antropóides.

A 31 de dezembro às 22.00 horas entra em cena o ser humano primitivo, o australo-piteco.

A 31 de dezembro às 23 horas, 58 minutos e 10 segundos surgiu o ser humano de hoje chamado de sapiens sapiens, portador de consciência reflexa.

A 31 de dezembro às 23.00 horas, 59 minutos e 6 segundos nasceu Jesus Cristo, figura central do cristianismo e para os cristãos o salvador do mundo.

A 31 de dezembro às 23.00 horas 59 minutos e 59,02 segundos Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil.

A 31 de dezembro às 23.00 hors e 59 minutos e 59,03 segundos a Europa começou a ser uma sociedade industrial e a expandir seu poder, explorando o mundo e criando o atual fosso entre ricos e pobres.

A 31 de dezembro às 23 horas, 59 minutos e 59,54 segundos, se fez a Independência do Brasil.

A 31 de dezembro às 23 horas, 59 minutos e 59,56 segundos (a partir de 1950) o ritmo da exploração e devastação ecológica se acelerou dramaticamente.

A 31 de dezembro, às 23 horas, 59 minutos e 59,58 segundos Lula foi eleito Presidente, um operário no poder. Pouco depois se constatou o perigoso aquecimento global que pode ameaçar o futuro da civilização.

A 31 de dezembro às 23 horas, 59 minutos e 59,59 segundos viemos nós ao mundo.

O sentido desta leitura é desbancar o antropocentrismo, quer dizer, aquela visão que empresta valor intrínseco somente ao ser humano e tudo o mais é colocado a seu serviço. A história do universo mostra que não é bem assim. Ele é um dos últimos seres a surgir e se insere no movimento geral do cosmos. Mas possui uma singularidade: só ele sabe conscientemente desta história e seu lugar no tempo. E se sente responsável pelo curso bom ou desastroso da Terra.

O tempo humano é mais curto que um leve suspiro de criança. Mesmo assim surge em nós um sentimento de gratidão para com o universo que organizou todas as coisas de tal forma que nós pudéssemos agora estar aqui para pensar e se admirar estas maravilhas, cheios de respeito e de reverência.

E não estamos sozinhos. O universo nos deu tantos companheiros e companheiras que são as estrelas, os animais, as plantas, os pássaros e os seres humanos, todos formados pelos mesmos elementos cósmicos. Somos um grande Todo.

Esse Todo terrestre não pode acabar miseravelmente pela nossa irresponsabilidade. Vamos superar a crise e continuar a viver e a brilhar, pois nosso berço está nas estrelas.

Publicado no site ENVOLVERDE-Revista Digital - http://www.envolverde.com.br ,em 11/05/2010

domingo, 9 de maio de 2010

O ENCANTO DOS ORIXÁS (LEONARDO BOFF)


Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.

Leonardo Boff é autor de Meditação da Luz. O caminho da simplicidade. Vozes 2009.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Quem é o seu Amante

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm e as que tinham e perderam.
Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: “Depressão”, além da inevitável receita do antidepressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo. Digo-lhes que elas precisam de um AMANTE! É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.
Há as que pensam: “Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!” Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é “aquilo que nos apaixona”. É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é “alguém” ou “algo” que nos faz “namorar” a vida e nos afasta do triste destino de “ir levando”.
E o que é “ir levando”? Ir levando é ter medo de viver.
É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com “ir levando”. Procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!


Acredite: o trágico não é morrer. Afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.
O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um Amante...
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo Transcendental: “PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO, SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."

Dr. Jorge Bucay - PSICÓLOGO –

Tradução do original “Hay que buscarse un Amante”

terça-feira, 4 de maio de 2010

A estória do Boneco de Sal - Por Leonardo Boff*

Nos últimos tempos temos dedicado nossas reflexões quase que exclusivamente às questões ambientais e aos desafios que as mudanças climáticas implicam para o futuro de nossa civilização, para a produção e o consumo.

Nem por isso devemos descurar os problemas cotidianos, a construção continuida de nossa identidade e a moldagem de nosso sentido de ser. É uma tarefa nunca terminada. Entre muitas, duas provocações estão sempre presentes e temos que dar conta delas: a aceitação dos próprios limites e a capacidade de desapegar-se.

Todos vivemos dentro de um arranjo existencial que, por sua própria natureza, é limitado em possibilidades e nos impõe barreiras de toda ordem, de lugar, de profissão, de inteligência, de saúde, de economia, de tempo. Há sempre um descompasso entre o desejo e sua realização. E às vezes nos sentimos impotentes face a dados que não podemos mudar como a presença de um esquisofrênico com seus altos e baixos ou um doente terminal. Temos que nos resignar face a esta limitação intransferível. Nem por isso precisamos viver tristes ou impedidos de crescer. Há que ser criativamente resignados. A invés de crescer para fora, podemos crescer para dentro na medida em que criamos um centro onde as coisas se unificam e descobrimos como de tudo podemos aprender. Bem dizia a sabedoria oriental:"se alguém sente profundamente o outro, este o perceberá mesmo que esteja a milhares de quilômetros de distância". Se te modificares em teu centro, nascerá em ti uma fonte de luz que irradiará para os outros.

A outra tarefa da autorealização é a capacidade de desapegar-se. O zenbudismo coloca como teste de maturidade pessoal e liberdade interior a capacidade de desapegar-se e de despedir-se. Se observamos bem, o desapego pertence à lógica da vida: despedimo-nos do ventre materno, em seguida, da meninice,da juventude, da escola, da casa paterna, de parentes e da pessoa amada. Na idade adulta despedimo-nos de trabalhos, de profissões, do vigor do corpo e da lucidez da mente que irrefragavelmente vão se desgastando até despedirmo-nos da própria vida. Nestas despedidas deixamos um pouco de nós mesmos para trás.

Qual é o sentido deste lento despedir-se do mundo? Mera fatalidade irreformável da lei universal da entropia? Essa dimensão é irrecusável. Mas será que ela não guarda um sentido existencial, a ser buscado pelo espírito? Se, fenomenologicamente, somos um projeto infinito e um vazio abissal que clama por plenitude, será que esse desapegar-se não significa criar as condições para que um Maior nos venha preencher? Não seria o Supremo Ser, feito de amor e bondade, que nos vai tirando tudo para que possamos ganhar tudo, no além vida, quando nossa busca finalmente descansará?

Ao perder, ganhamos e ao esvaziarmo-nos ficamos plenos. Dizem por aí que esta foi a trajetória de Jesus, de Buda, de Francisco de Assis, de Gandhi, de Madre Teresa e de outros.

Talvez um estória dos mestres espirituais antigos nos esclareça o sentido da perda que produz um ganho. "Era uma vez um boneco de sal. Após peregrinar por terras áridas chegou a descobrir o mar que nunca vira antes e por isso não conseguia comprendê-lo. Perguntou o boneco de sal:" Quem és tu? E o mar respondeu:"eu sou o mar". Tornou o boneco de sal: "Mas que é o mar?" E o mar respondeu:" Sou eu". "Não entendo", disse o boneco de sal. "Mas gostaria muito de compreender-te; como faço"? O mar simplesmente respondeu: "toca-me". Então o boneco de sal, timidamente, tocou o mar com a ponta dos dedos do pé. Percebeu que aquilo começou a ser compreensível. Mas logo se deu conta de que haviam desaparecido as pontas dos pés. "Ó mar, veja o que fizeste comigo"? E o mar respondeu:"Tu deste alguma coisa de ti e eu te dei compreensão; tens que te dares todo para me compreender todo". E o boneco de sal começou a entrar lentamente mar adentro, devagar e solene, como quem vai fazer a coisa mais importante de sua vida. E na medida que ia entrando, ia também se diluindo e compreendendo cada vez mais o mar. E o boneco continuava perguntando: "que é o mar". Até que uma onda o cobriu totalmente. Pode ainda dizer, no último momento, antes de diluir-se no mar: "Sou eu".

Desapegou-se de tudo e ganhou tudo: o verdadeiro eu.

(Publicado na Revista Envolverde . www.envolverde.com.br, em 04/05/2010)

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