A SINDROME DE PÂNICO E O PENSAMENTO FATALISTA
A síndrome de pânico tem sido um dos temas mais estudados nos últimos anos nos mais variados setores da saúde. Sua característica de acometimento inesperado,sintomas físicos que simulam doenças cardíacas e forte comprometimento emocional,criam um cenário desesperador e incompreensível para o paciente e para quem o assiste. Como as crises no mais das vezes surgem sem um motivo aparente, elas limitam a liberdade do individuo, que vive a espreita de uma crise, construindo assim comportamentos preventivos, e no mais das vezes desmedidos para quem os acompanha. Palavras de que deveria enfrentar o problema, ou que as estatísticas provam o contrario de seus medos e crenças, povoam o universo da convivência social do paciente.
A síndrome de pânico é considerada hoje um dos distúrbios mais incidentes no mundo, não respeitando idade ou sexo, acometendo em maior proporção as faixas sociais mais favorecidas. Tudo isso faz da síndrome um monstro de mil cabeças, onde o suporte de medicação específica se impõe como uma forma de alivio imediato da crise.
Como um vulcão que explode de forma inesperada, assim é uma crise de pânico: uma porta que não abre, um elevador que pára, um cinema que apaga as luzes ou, nada. O coração dispara, as mãos tremem, e uma intensa sensação de medo se apodera, e é preciso sair de onde se está rapidamente,buscar socorro médico, pois algo de terrível pode acontecer.Eis uma crise de pânico clássica!
Assim como uma barragem pode sofrer rachaduras pela força do rio, assim é o paciente na crise de pânico ao conter a avalanche de registros inconscientes que surgem repentinamente no seu espírito.
Ao longo do meu trabalho como terapeuta, tenho percorrido ao lado de meus clientes com síndrome de pânico, as margens do rio de suas vidas. Encontro sempre a construção de um pensamento linear, que se resguarda do inesperado, através de uma conduta de vida que não incorpora o universo das possibilidades. A construção da realidade, se ancora na direção de causa e efeito, onde os fatos vividos ao longo de sua trajetória de vida confirmam o sentido da fatalidade dos acontecimentos,sendo a morte a maior certeza.
E´o reconhecimento e a consequente libertação desse pensamento fatalista dominador, que surge como uma chave valiosa para abrir espaços quânticos de consciência, no sentido de ampliar a visão do individuo quanto a sua trajetória num mundo de dualidades. A Esperança, a Confiança e a Fé, se opõe a fatalidade, assim como o movimento se opõe a rigidez.
Roger Garaudy filosofo francês do nosso século, reconhece o pensamento fatalista como atrelado ao fenômeno da industrialização, quando `a semelhança de maquinas, o homem perde a criatividade do viver,e é induzido a se preocupar apenas com o "produzir seja lá o que for e fabricar o mais possível",transformando a vida "numa experiência sem objetivo e que conduz a morte".
Portanto, o pensamento de Garaudy, confirma o que vemos na clinica, quando constatamos no cliente com pânico esta dificuldade de se mover do lugar que ocupa no mundo. As mudanças são o elemento de maior ameaça, evocam em qualquer instancia o risco da perda. Assim como uma engrenagem numa máquina, ele está preso, mas assegurado, quando não ousa realizar novos movimentos na vida . A pulsão do desejo de fazer ou ser diferente, descortina um universo de incertezas insuportável.
E´ a Fé e a Esperança, que devolvem ao homem essa mobilidade,execrando o pensamento fatalista.
Na Terapia com Essências Florais, procuramos sempre devolver ao individuo essa polaridade perdida da Fé e da Esperança, que muitas vezes ficou ocultada ou marcada por vivências do passado que fortaleceram o pensamento fatalista. Usar Essências Florais é mover o paciente de um padrão de crenças e lhe devolver a liberdade de experienciar o ato de existir sem o conceito limitador do pânico.
Essências Florais como a Sweet Chestnut do sistema Bach e Borage do sistema da California tem se mostrado como recursos para uma abordagem profunda . Além do medo e ansiedade, que podem ser trabalhados especificamente com inúmeras essências florais, a síndrome de pânico depara-se com o intenso sentido de fragilidade e impermanência do ser humano.Quando isso é descortinado diante de fatos da vida, é o maior gerador do pensamento fatalista
A semelhança das abordagens clássicas da Psiquiatria, onde a síndrome de pânico tem como seu maior aliado medicamentoso os antidepressivos, esses dois florais também são recursos importantes no tratamento das depressões. A Sweet Chestnut, como uma arvore que impressiona pela envergadura de seu tronco, tem na verdade raízes que favorecem um tombamento fácil. Tal envergadura de tronco engana quanto a uma resistência inabalável nas tempestades. Assim é o individuo acometido de pânico, que constituido fortemente sobre a certeza de seu traçado de vida, se vê sem confiança em si mesmo ao primeiro tombamento na vida.
Já a Borage, vai tratar aquela desesperança em conseguir resistir as tempestades da vida, num sentido de não ter forças para suportar as tormentas. Sua cor lilás e sua pétalas em pentagrama, evocam o fortalecimento do espírito, e o ancoramento numa certeza que vai para além do corpo físico.
A elas junte-se a essência Cayenne do sistema Californiano. A pimenta é um forte estimulante do sentido do paladar, acelerando processos metabólicos ao deixar a função digestiva mais desperta. Da mesma maneira seria a sua ação como essência Floral.
Considerada uma essência auxiliar em processos terapêuticos,é imprescindível nos quadros de pânico por ser uma essência que estimula a mobilidade,fazendo o individuo sentir-se capaz de sustentar seu desenvolvimento emocional e espiritual,se contrapondo as condutas de estagnação.
Portanto, após essa discussão sobre a abordagem terapêutica nas crises de pânico, concluímos o valor não apenas de medicamentos que tragam conforto imediato ao paciente, mas primordialmente, um trabalho terapêutico que leve o paciente a se defrontar com seus processos de estagnação na vida, reconhecendo historicamente como ele construiu e fortaleceu o seu pensamento fatalista.Um processo que o conduza ao desenvolvimento da Confiança e Fé em seu processo criativo de viver, devolvendo-lhe a individualidade, autenticidade e encantamento de um ser único na existência.
Recife,inicio de outono de 2010
Tereza Guimarães
Psiquiatra,Homeopata e Terapeuta Floral
Integrante da equipe de profissionais do Centro Logos
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